No 1º aniversário da Ebenezer Church, o Salmo 137 nos lembrou que somos um povo em exílio. A fidelidade de Deus, que nos trouxe até aqui, nos chama a viver com Ele mesmo em terra estranha.
Texto base: Salmo 137:1-6 | Pregado em: 26 de abril de 2026 — 1º Aniversário da Ebenezer Church
“Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião.”
— Salmo 137:1
No domingo passado celebramos um ano da Ebenezer Church. E ao celebrar este aniversário, nosso próprio nome pregou para nós. Ebenézer. “Até aqui nos ajudou o Senhor.” (1 Samuel 7:12)
Samuel levantou uma pedra para que o povo jamais esquecesse a fidelidade de Deus. É para isso que servem os aniversários: não apenas para celebrar o que foi, mas para lembrar quem nos trouxe até aqui — e renovar o compromisso de para onde vamos.
O Salmo 137 foi escrito durante o exílio babilônico, após a destruição de Jerusalém em 586 a.C. Longe de sua terra, do templo e dos símbolos visíveis da presença de Deus, os israelitas choravam às margens dos rios da Babilônia, lembrando-se de Sião. O salmo expressa dor, saudade e humilhação, mas também revela uma profunda consciência espiritual: mesmo em terra estranha, o povo se recusava a esquecer sua identidade e sua aliança com Deus.
Tese: A fidelidade de Deus, que nos trouxe até aqui, nos chama a viver com Ele mesmo em terra estranha.
1. Precisamos Lembrar Sião
“Nós nos sentamos e choramos, lembrando-nos de Sião…” (Salmo 137:1)
O exílio não destruiu o povo porque a memória da aliança permaneceu viva. Sião representava a presença de Deus, a adoração, a promessa e a identidade do povo. O choro dos exilados não era apenas dor pela perda da cidade — era dor por terem perdido a comunhão, por terem desprezado a aliança, por terem experimentado as consequências do próprio pecado. Eles choraram porque se lembraram. E essa lembrança era, paradoxalmente, sinal de graça.
Um povo espiritualmente morto não sente saudade de Sião. Há um lamento santo que Deus usa para despertar restauração. O sofrimento do exílio produziu consciência. A disciplina produziu memória. E a memória reacendeu esperança.
Ebenézer também é memória. A pedra dizia: Até aqui nos ajudou o Senhor. Sião dizia: Ainda pertencemos ao Senhor. Uma lembrava a fidelidade passada. A outra preservava a esperança futura. Uma igreja só permanece saudável quando conserva essa memória espiritual — quando não esquece de onde Deus a tirou, quando não perde o assombro da graça, quando não banaliza a presença de Deus. E no fim, Sião apontava para Cristo. Porque em Jesus, a presença de Deus veio habitar conosco.
2. Precisamos Recusar Pertencer à Babilônia
“Como poderíamos cantar as canções do Senhor em terra estrangeira?” (Salmo 137:4)
Essa pergunta do salmista não expressava desprezo pelo louvor. Expressava discernimento. Os opressores queriam transformar adoração em entretenimento. Queriam canções arrancadas de um povo quebrantado para divertir os dominadores. Mas o povo se recusou. Porque há momentos em que resistir é também adorar.
A igreja hoje também vive cercada por Babilônias culturais: uma cultura que relativiza a verdade, que negocia santidade, que oferece conforto ao custo da fidelidade, que quer uma igreja admirável, desde que não seja profética. Babilônia não é nosso lugar.
O perigo não está apenas em perseguição externa — está na assimilação silenciosa. Quando começamos a pensar como Babilônia. Desejar como Babilônia. Medir sucesso como Babilônia. Daniel resistiu em Babilônia (Daniel 1:8; 6:10). Ezequiel profetizou em Babilônia (Ezequiel 1:1-3). E Deus ainda preserva sua Igreja em meio às pressões deste século. Porque Cristo também venceu Babilônia.
3. Precisamos Esperar a Restauração
“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém…” (Salmo 137:5)
Essa não é apenas saudade. É esperança. Porque Deus não terminou sua história com seu povo no exílio. Setenta anos depois, houve retorno. Essa é a diferença entre lamento bíblico e desespero: o desespero fecha o futuro, o lamento bíblico espera redenção.
A esperança do povo de Deus nunca repousa nas circunstâncias. Repousa nas promessas do Senhor. Uma Igreja não vive apenas de memória, nem apenas de resistência — vive de esperança. Esperança de que Deus ainda edifica, ainda purifica, ainda desperta, ainda restaura.
E ainda aguardamos a consumação — a Nova Jerusalém (Apocalipse 21:1-4). A cidade que não será destruída. A comunhão que nunca será interrompida. A adoração que nunca mais será silenciada. Por isso, a Igreja caminha olhando para frente. Não para ruínas. Mas para a cidade eterna. Quem crê na restauração futura permanece fiel no presente.
Conclusão
Hoje levantamos novamente nossa pedra memorial. Ebenézer. Até aqui nos ajudou o Senhor. E essa ajuda nos chama a três compromissos: Lembrar Sião. Recusar Babilônia. Viver pela esperança da restauração. Este é o caminho de uma Igreja fiel.
“Ebenézer nos ensina a lembrar a ajuda de Deus; Sião nos ensina a nunca esquecer para onde pertencemos.”
Mensagem pregada no culto de celebração do 1º aniversário da Ebenezer Church, em 26 de abril de 2026.








